27/12/21
Quando eu me interesso em conversar com alguém eu tenho de reaprender a falar, tenho de reaprender a ser alguém com quem as pessoas queiram conversar. Antigamente eu estudava signos a procura de um alívio, para conhecer o outro e a me “conhecer melhor”, uma ajuda de como conversar no wikihow, e um arrego da minha própria consciência: “Júlia você é legal, vai dar tudo certo!”, mas no fim eu não parecia nada mais nada menos do que uma louca desesperada, não só para mim mas também imagino que para os outros.
Eu continuo sendo uma desesperada, porque algumas coisas nunca mudam, a solidão me faz enlouquecer sempre! Ela é horrível! Toda vez que me vejo num canto enquanto todos os outros estão se divertindo, fazendo conexões, eu apenas estou tentando não chorar por perceber que não faço parte do momento mesmo me esforçando muito para conversar, para ficar feliz ou me divertir, eu acabo não me abrindo para me divertir de fato, estou o tempo todo tão preocupada se estou realmente sendo agradável para quem está a minha volta, que eu pego sempre as coisas pela metade, ser agradável? Me divertir? Eu queria me divertir junto com alguém, mas o meu sinônimo de diversão é diferente do resto do mundo.
Gosto de coisas complexas, conversas profundas e coisas sem sentido, gosto de rir de coisas idiotas até eu me acabar de rir num humor negro horroroso de errado, quero poder ser chata, melodramática e irritante sem medo, idiota, estúpida e atrapalhada, as pessoas não aceitam alguém que se aceita ser imperfeita em sua personalidade. Eu acabei criando uma personalidade tão rasa para me adaptar que minha própria personalidade acabou engolindo-a várias vezes, isso chateou muitas pessoas mas chateou a mim mais ainda.
E eu acabo sempre voltando aos signos, mbti, eneagrama, o que for para eu não me perder de uma personalidade que eu mesma nem conheço.
Solidão ou liberdade?
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