Garota de Marte

CATARSE : "sentimento de alívio e euforia ao se trazerem à consciência, sentimentos, pensamentos… que estavam reprimidos."

Eu vivi o tempo inteiro com uma pessoa totalmente desprovida de qualquer senso de gentileza e muito menos empatia. Essa pessoa foi um caos em minha vida, e, também, o motivo de muito sofrimento para os que amo. Ficava seriamente pensando se haveria alguém parecido com ele, se haveria outra Júlia em um lugar distante passando os mesmos perrengues que eu tive que suportar? E como será que essa Júlia lidou com isso? Será que ela está melhor do que eu? Pois, se estiver, tenho muita inveja dela!
O meu sofrimento foi desencadeado por muitas questões, mas o principal motivo, foi a minha falta de amor próprio. Sabe, penso que nunca ninguém me amou do jeito que deveria me amar, então desenvolvi sistemas de escape por sentir muita carência. O que aconteceu é que não sei bem distinguir quem é ruim ou bom para mim ( por isso me ferrei muito no amor por confiar demais). Tento reproduzir o que vejo dos filmes, parece piegas, mas são apenas idealizações criadas por pessoas tipo eu: sonhadoras e românticas. E de verdade, eu queria um amor de cinema, um amor que me fizesse virar de cabeça para baixo. Porém nunca é bem assim…

Nos filmes por ser mera ficção, não nos ensinam a ter autoestima, deveriam nas tomadas antecipadas, deixarem claro para as pessoas ultra-românticas, mais ou menos assim: “esse filme pode causar expectativas em pessoas ultra-românticas exageradas que devem ser desconsideradas.”

Você precisa ter autoestima para ser amada, e eu não consegui ainda ajeitar isso em mim. E quando vc não tem isso resolvido, você pode entrar num círculo vicioso de precisar de carinho, afeto e atenção o tempo todo, e isso ninguém merece (o famoso apego emocional descontrolado), teu parceiro(a) tem que viver também, e você tem que aprender que o outro(a) não é responsável por te fazer feliz. Vcs são seres independentes que tem que saber ser feliz independente do outro(a). E como já dizia Nietzsche

Jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todo amor é amor próprio. Pense naqueles que você ama: cave profundamente e verá que não ama à eles; ama as sensações agradáveis que esse amor produz em você! Você ama o desejo, não o desejado.

Friedrich Nietzsche

Irônico quando “se acham” pessoas cheias de amor pra dar, mas na real é um put* de um egoísta… o impacto é grande para ambos os lados!

Continuando com a Metáfora dos filmes, pode até haver uma protagonista ou um protagonista que muda abruptamente num piscar de olhos o seu modo de ver o mundo e de agir, pra ter no fim o seu tão e precioso final feliz… Basta isso!? Eu não quero um final feliz! Quero saúde mental (pelo menos acho que é o que falta em mim) quero algo que mostre como me revigorar como pessoa, quero algo que faça a diferença dentro de mim, e que me faça compreender que ainda há esperança em viver! Quero algo que me faça querer sair da minha própria realidade, porque sinceramente…eu queria sumir! Queria deixar de viver nesta realidade só pra existir num desses filmes curtos de comédia romântica, em que o único objetivo da protagonista é ser bonita, e, claro, ser conquistada por uma pessoa incrível (de verdade, cansei de caras). Aí está outro erro, não colocaram nos filmes que homens bonitos/canalhas podem estraçalhar a vida de qualquer um(a), de um jeito totalmente assustador (Não há limites para esse tipo de gente, isso eu garanto).
  O ponto que eu quero chegar com tudo isso é, como já dizia Shakespeare:

O mundo inteiro é um palco
E todos os homens e mulheres não passam de meros atores
Eles entram e saem de cena
E, cada um no seu tempo representa diversos papéis.

Será que devo viver minha vida com toda a força de meu ser até ela se esgotar e só sobrar apenas pó? Ou deixar que a vida siga seu curso?

Vida real: Monótona, rotineira, tediosa, repetitiva, chata, triste e injusta.

Vida fictícia: Romântica, magnífica, incrível, fantasiosa, utópica e desejável.

De verdade, eu não consigo entrar em um consenso com a minha mente, se eu devo viver no mundo real ou no lugar que eu realmente queria estar… Não sei porque sofro ainda querendo encontrar uma pessoa legal para me tirar do tédio, talvez porque eu queira encontrar alguém que possa enxergar uma fagulha do que seria o tal paraíso. Mas a verdade é que essa pessoa não existe, como não existe paraíso num mundo de ateístas ( e não existe inferno também ).

O máximo que pode acontecer comigo é encontrar uma pessoa que eu me sinta bem para ser eu mesma, isso é raro, mas ainda há um pingo de esperança dentro de mim em relação a isso.

Mas então, como realmente eu devo viver? Como será melhor para mim?

Para os sentimentais: viva intensamente, mas não seja burro! Para os racionais: Viva a vida do jeito que mais faça sentido lógico para a sua existência, no aqui e no agora! Mas não seja a porra do iceberg do Titanic, se abra de vez em quando, não vai matar ninguém!

Essa é a vida real, não tão dramática como uma peça, não tão romântica como num filme. Mas sabe? Você continua tendo um papel importante.
Essa é a graça da vida, eu acho…

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Uma resposta para “O ideal”.

  1. Avatar de Andryo
    Andryo

    Esse foi de uma profundidade, acho que foi o que mais me fez pensar até agora.

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